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DinahReis
DaSucursal

SERRINHA
- Uma cachaça feita de rapadura, de forma artesanal,
começa a sair dos limites da comunidade da Serrinha,
zona rural de Lavras, no Sul de Minas, a 240 quilômetros
de Belo Horizonte, e ganhar espaço nas prateleiras
dos bares especializados da região. Produzida
com rapadura - doce em barra feito a partir do caldo
de cana-de-açúcar engrossado -, a Serrinha
atrai os consumidores por ter aroma frutado e ser menos
ácida que as tradicionais.
Durante seis anos, o empresário do setor de seguros
Carlos Alberto de Mesquita, trabalhou na elaboração
da bebida. Para isso, teve o apoio da professora do
Departamento de Química da Universidade Federal
de Lavras, Maria das Graças Cardoso. O corretor
sempre foi grande apreciador da cachaça artesanal
e perseguiu o objetivo de fazer a primeira cachaça
artesanal mineira de rapadura, com qualidade reconhecida
pelo Ministério da Agricultura para a comercialização.
O enólogo Leandro Nigro, responsável técnico
do alambique, disse que existem aguardentes mineiras
produzidas a partir da rapadura, mas o processo de produção
é diferente da cachaça. "A aguardente
é feita através de destilação
contínua, industrial e fermentação
química. Já a cachaça é
artesanal, com destilação limitada em
alambique de cobre e fermentação caipira,
conduzida por levedura cultivada em fubá e farelo
de trigo", explica Nigro.
A rapadura é fabricada por famílias de
pequenos agricultores da região de Lavras e antes
era comercializada somente em feiras livres e mercados.
Agora, o doce conquistou esse novo mercado. Para fazer
um litro de cachaça, o técnico utiliza
um quilo de rapadura. O alambique produz 100 litros
por dia e deve consumir 10 toneladas de rapaduras em
2004. Para o enólogo, a boa maturação
da cana na região ajuda a manter a padronização
da cachaça. Outro fator que determina a qualidade
é a fabricação da rapadura sem
adição de açúcar e produtos
químicos. Nigro diz que, por não ser fabricada
com caldo de cana, a cachaça de rapadura é
livre do excesso de metanol, uma molécula formada
na fermentação do bagacilho.
A cachaça lavrense de rapadura encontrou apreciadores
em casas especializadas de São Paulo, Brasília,
Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O produtor
quer conquistar o mercado internacional e já
enviou amostras para países que consomem a bebida
brasileira, como Alemanha, Japão, Portugal e
Estados Unidos.
È
artesanal e limitada para manter a qualidade.
O processo de produção da cachaça
de rapadura é artesanal e minucioso, por isso
é feito em safras, com quantidade limitada para
manter a qualidade. A estocagem correta das barras é
a primeira fase, e deve ser em armários livres
de umidade, bem higienizados e lacrados, para evitar
o contato com as drosóphilas. Estas moscas, comuns
em estocagem de cana, carregam um tipo de bactéria
que transforma o álcool em ácido acético
e aumenta a acidez da bebida.
As
barras são derretidas com água filtrada
em um tacho de cobre, onde é transformada em
mosto (suco em fermentação) e transportada
por encanamento para um tanque de inox. O caldo grosso
é diluído até chegar ao nível
adequado de açúcar e temperatura. Depois
todo o líquido é dividido nas dornas fechadas
de fermentação para que as leveduras do
fubá transformem todo o açúcar
em álcool e gás carbônico. O enólogo
disse que o mosto, nesse processo, é puro e livre
de contaminação externa, além de
exigir total controle da temperatura em todas as fases.
No ambiente das dornas (vasilhas grandes, sem tampas)
fica um aroma frutado muito atraente, mas também
perigoso, pois todo o gás carbônico é
jogado ali e depois eliminado pelo ar-condicionado.
O
líquido é mandado para o alambique de
cobre através das bombas. Começa, nesse
momento, a destilação a 100º em três
pratos para o controle da quantidade do vapor. O alambique
é aquecido em fornalha, sem caldeira. O vapor
passa pela serpentina e vai para o resfriador, condensa
e o líquido é dividido em cabeça,
com até 60% de teor alcoólico, coração
e cauda, 5% de álcool. Nigro explica que coração
é a única parte aproveitada por ter o
teor ideal de 40%, de acordo com as exigências
do Ministério da Agricultura.
As
bombas levam a cachaça à última
etapa, nos tonéis de jequitibá, para envelhecimento,
onde descansam de seis meses a um ano. O jequitibá
foi escolhido por não interferir no sabor e dar
uma cor palha à bebida.
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