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LavrasNews

Cachaça lavrense é medalha de ouro em festival de gastronomia

O estado de Minas Gerais é conhecido pelo Brasil e também no exterior pela a excelente qualidade da cachaça artesanal que aqui produz.
O destaque maior fica com a região norte, sobretudo Salinas e Taiobeiras, produtoras das cachaças Diabinha, Só Luar, Pirraça Beija-Flor e a famosa Havana.

A “hegemonia” da região norte pode acabar tendo em vista que a região sul está começando a produzir excelentes cachaças artesanais.
É sabido, que as cachaças da região de salinas projetaram de forma folclórica, com uma “ajudinha” de políticos famosos como Juscelino Kubitschek, José Maria Alkimim e o mais folclórico deles: Benedito Valadares, que não dispensava a famosa “Providência”, também daquela região.

Produzir hoje uma boa cachaça e torna-la conhecida não significa apenas procurar fórmulas em fazendas seculares ou pedir ajuda a políticos folclóricos. Hoje se pode produzir uma cachaça com tecnologia em alambiques modernos, limpos e com acompanhamento de técnicos. Os produtores da região são privilegiados, porque a Universidade Federal de Lavras (UFLA) possui um moderno laboratório que pesquisa e acompanha, através de um controle rigoroso, a produção, além de fazer o monitoramento.

Além do laboratório, a UFLA tem em seu quadro uma das maiores autoridades no assunto do Brasil, a professora Maria das Graças Cardoso, química responsável pela produção da cachaça nos melhores alambiques. A capacidade da professora Maria das Graças, associada ao interesse de se produzir uma cachaça de qualidade indiscutível, foi comprovada em Tiradentes, em agosto, quando foi realizado o Fest Gourmet, um festival de gastronomia de fama internacional. Uma cachaça de Lavras ganhou Medalha de Ouro em qualidade e sabor, a cachaça “Serrinha”, que foi premiada no quesito “Degustação de Finas Cachaças Artesanais”.

A Serrinha é a primeira cachaça de rapadura, com qualidade do Brasil, atestada e aprovada pelo ministério da agricultura. A cachaça de rapadura Serrinha nasceu do ideal do empresário Carlo Alberto Freitas de Mesquita: produzir uma bebida de qualidade inquestionável; com isso, conseguiu envolver seus familiares no empreendimento: a esposa Susana Maria de Andrade Siqueira Mesquita e a filha Mayra Siqueira de Mesquita.

Em busca de uma qualidade insuperável, Carlos Alberto contratou um enólogo com formação acadêmica: Leandro Nigro, formado na única faculdade de enologia do Brasil, no Rio Grande do Sul. Leandro é o único enólogo do mundo que se especializou em cachaça. As razões que levaram Leandro a deixar a arte do cultivo da vide e preparação do vinho para se aventurar a trabalhar com cachaça é o potencial em que ele vê nesta bebida, que vem ganhando espaço nos mais finos restaurantes do Brasil e do mundo, onde hoje as garrafas disputam espaços nas prateleiras com os mais finos whiskys ou vinhos internacionais.
A matéria prima usada na fabricação da cachaça Serrinha é a rapadura de cana-de-açúcar, que é, segundo Mayra, adquirida na região, já que uma das preocupações da empresa é preservar empregos e tradições da região. A única exigência e preocupação são com a qualidade e o asseio. A rapadura é fervida e dissolvida; em seguida passa pelo processo de depuração, depois é fermentada e destilada; em seguida armazenada em tonéis de jequitibá, madeira que não interfere no sabor e nas características da bebida, tornado-a ideal na elaboração de coquetéis, drinks e a verdadeira caipirinha. Tudo isso contribuiu para que a cachaça tivesse a aprovação dos mais conceituados cheffs, entre eles, Rodolfo Bottino, apresentador do programa de culinária na Globosat, que participou do Fest Gourmet, em Tiradentes.

A cachaçaria Serrinha produz hoje 6mil litros/ano da mais pura cachaça de rapadura. Sua produção é consumida em São Paulo, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outros grandes centros. O objetivo é atingir 12 mil litros por ano, mas com o cuidado de manter sempre a qualidade, conforme explicou Leandro. “Grande produção pode comprometer a qualidade, e isso não nos interessa”, disse.
Questionado se existem planos de ganhar o mercado internacional, Leandro e Mayra disseram que a Serrinha já foi para o Japão e Alemanha, com o objetivo de abrir o mercado, mas a exportação ainda depende de uma política de ampliação da cachaçaria, porém, “sempre mantendo a qualidade”, afirmaram.

Nos planos da empresa estão a construção de uma pousada e de um ponto de degustação e venda do produto, como os que existem na Europa nas regiões produtoras de vinhos finos, onde Leandro Nigro morou e trabalhou num bom período.