Produtores
de Cachaça apontam fortalecimento do setor
em Lavras

A
bebida mais popular do País está ganhando
cada vez mais espaço na economia de Lavras
e na região do Sul de Minas Gerais: a cachaça.
A reportagem do LavrasNews feita está semana
aponta o fortalecimento dos produtores do setor, a
geração de renda e a melhoria da pesquisa
e da tecnologia que envolve a produção
da tradicional bebida de origem mineira.
Os empresários apostam na alta na qualidade
e no diferencial do produto num mercado cada vez mais
competitivo. A maioria deles está na busca
de consumidores exigentes e com paladares distintos.
A reportagem esteve em duas propriedades rurais que
abrigam a fabricação de cachaça
em Lavras. Com produções pequenas e
artesanais, hoje a cachaça produzida em Lavras
e na região do Sul de Minas Gerais tornou-se
uma referência para quem procura originalidade
e bons produtos.
Para Maria das Graças Cardoso, professora do
departamento de Química e coordenadora do Lafqa
(Laboratório de Análise Físico-Químicas
de Aguardente) da Ufla, a pesquisa do produto, que
começou em 1996, hoje pode ser considerada
uma referência para produtores e pesquisadores
de Lavras e do país. A professora ressaltou
que o laboratório do campus funciona para pesquisar
novas leveduras, que são a base para a produção
da cachaça, como também para dar suporte
aos produtores. “Recentemente dois alunos do
Departamento de Química da Ufla defenderam
trabalhos ligados à cachaça”.
Para ela, algumas regiões produtoras no estado,
como Salinas, muitas vezes têm apenas um “nome”
e não tecnologia para aperfeiçoar e
melhorar a produção. “A Ufla é
a única universidade que tem um laboratório
voltado para o produto dentro de sua sede. O laboratório
ainda é abalizado pelo Inmetro”.
O enólogo Leandro Nigro, formado pela única
faculdade de enologia do país, localizada na
cidade gaúcha de Bento Gonçalves, e
um dos responsáveis pela produção
da cachaça “Serrinha”, feita de
rapadura. A cachaça, fabricada artesanalmente
em Lavras, está conseguindo se firmar no mercado
com bastante sucesso. Ele também ressaltou
o trabalho feito pela Ufla no campo da produção
da cachaça. Leandro está cursando pós-graduação
e já no próximo mês inicia seu
mestrado na Ufla. “Vou tentar adaptar a tecnologia
do vinho para a cachaça”, disse entusiasmado.
Para
o enólogo, sendo a única cachaça
de rapadura registrada no Ministério da Agricultura
no país, a “Serrinha”, hoje, ganha
mercado justamente pelo diferencial de sua matéria
prima: a rapadura. Ele também afirmou que o
preço mais acessível de seu produto
ganha mercado em face de outras marcas mais caras.
“Hoje o consumidor procura uma cachaça
de qualidade e mais acessível financeiramente”.
Leandro disse ainda que uma garrafa da “Serrinha”
é comercializada entre R$18 e R$20 na região.
Em estados como São Paulo, o enólogo
afirmou que este valor pode subir para R$ 30. “O
nosso objetivo é a qualidade e não somente
o lucro. Estamos atingindo, inclusive, o mercado externo”.
Tendo a possibilidade de produzir cachaça o
ano todo, Leandro afirma: “É um mercado
promissor e que promete muito, ainda”.